Ter um pouco de bondade neste mundo de leões famintos deve ser a dose para atravessar a ponte. A ponte que separa a hipocrisia da felicidade. E foi com coragem que eu cheguei lá, juntei bagagem e me joguei. E foi no início da ponte que eu me deparei com uma tartaruga já velha, muito cansada, e dei a ela água de beber. Estava exausta, levava consigo muitos problemas no casco, e sua timidez a impedia de ser feliz, prometi que a esperaria do outro lado. Eis a caminhada rumo a felicidade. O céu aberto e a brisa leve me faziam sentir vontade de continuar caminhando. Acabei conhecendo um elefante que fugira do circo, o conquistei com amendoins. Tão simpático. Em troca me ofereceu carona até metade do caminho. Batemos aquele papo cabeça. E descobri que debaixo daquela pele grossa e machucada existia um coração de manteiga, que a todos acolhiam. E guardava tudo na caixola, feito um exercício pra mente. Me despedi, e desejei sorte. Que a vida seja grata com ele. De longe avistei um urso, um jacaré e uma onça que ajudavam um morcego que caíra, propositalmente não conseguia mais voar. Indignado com a vida ele resolveu caminhar, e com o tempo ele percebeu que o preconceito é uma forma inútil de encarar a realidade, e que ele poderia sim andar debaixo do sol quente. Bastava abrir bem os olhos. Ao fim da jornada encontrei um pinguim, que semelhante a mim caminhava sozinho. Houve uma tempestade e ele se perdeu do cortiço. Andava a procurar outros pinguins, e nos invernos se esquentava com as focas. Na vida lhe cabia um único amor, que encontrara há um tempo. Eis a jura da eternidade. Foi assim que aprendi com ele que amamos de verdade uma única vez, e que as diferenças são tão interessantes quanto as semelhanças.
Hoje vivo do que aprendi pelo caminho, houve despedidas, e muitos encontros. Aprendizagem e mudanças. Pode ser que os hipócritas venham também. Quem dera eu diminuir a distância da ponte. Aqui é bom. Você já esta caminhando ou continua parado?
